Relatório Semanal – Al Brooks – 14/03/2020

Forte rali no Emini, provocado pela cobertura de posições vendidas, após fundo em forma de cunha parabólica formado em março

14 de março de 2020, por Al Brooks

Visão Geral de Mercado: Atualização de Final de Semana

Todos os principais índices de ações estão agora em um mercado de baixa (bear market). Mas o Emini (contrato futuro do S&P500) iniciou na última sexta-feira uma reversão de alta a partir de um clímax de venda em forma de cunha parabólica. Haverá provavelmente um forte rali1 motivado pela cobertura de posições vendidas (zeragem de posições vendidas) pelas próximas duas semanas.

O mercado futuro de T-bonds de 30 anos formou o clímax de compra mais extremo de sua história. A reversão apresentada na última semana será provavelmente o início de algumas semanas de movimentação de lateral a descendente no preço desse ativo.

O par EURUSD no mercado de Forex rompeu fortemente acima da linha de tendência de baixa traçada há 18 meses. A tendência de baixa que já durava 2 anos provavelmente acabou. É provável que a forte reversão de baixa desta última semana leve a uma correção que deve durar de 1 a 2 semanas.

Gráfico semanal do mercado futuro de T-bonds de 30 anos:
Clímax forte de compra e, portanto, espere uma pausa na tendência de alta

Bond Futures weekly candlestick chart has huge climactic reversal down.png

Legendas:
Forte reversão de baixa a partir de níveis acima do canal de alta
Grande perna de alta, grande perna de baixa, portanto grande confusão e provável lateralidade
Deve ocorrer movimentação de lateral a descendente por pelo menos várias semanas
Alvos são a mínima do clímax de compra de 21 de fevereiro, a média móvel e a máxima de 28 de agosto, que foi o ponto de rompimento
A correção pode chegar na mínima de 17 de outubro, que é o fundo da 3ª perna de alta em um rali em forma de cunha

Os contratos futuros dos T-bonds de 30 anos fizeram um forte rali durante os últimos 3 meses no gráfico semanal. O movimento foi excepcionalmente dramático ao longo das últimas 3 semanas.

Os T-bonds, após aquele rali, fizeram uma forte reversão de baixa, a partir de preços acima do topo de seu canal de alta. A queda deve testar a mínima de 21 de fevereiro dentro de poucas semanas. Pode atingir a mínima de 17 de outubro dentro de alguns meses.

Quando um clímax de compra é revertido, o fundo desse clímax de compra e da perna de alta mais recente se tornam magnetos. A queda normalmente tem pelo menos um par de pernas de laterais a descendentes. Ela deve se transformar em uma lateralidade por várias semanas.

Quando o maior rompimento ocorre tarde em uma tendência de alta, há 60% de probabilidade de que a tendência de alta faça uma pausa a qualquer momento, ou faça a pausa após mais um breve impulso para cima. Adicionalmente, há uma probabilidade de 60% de haver mais uma puxada para cima. Porém, a reversão formada nesta última semana foi tão extrema que, se houver mais uma puxada para cima, ela provavelmente formará uma máxima mais baixa.

Um clímax de compra leva a uma pausa na tendência de alta, e não necessariamente a uma reversão de tendência

É importante notar que eu não disse que a reversão climática de baixa levaria a uma tendência de baixa. Há uma probabilidade de 40% de que isso aconteça após vários meses. Mas há uma probabilidade de 60% de que o mercado de T-bonds fique em movimentos laterais por um ou mais meses. Uma lateralidade é mais provável do que uma tendência de baixa, ou até do que uma retomada da tendência de alta.

Depois que se formarem duas pernas de laterais a descendentes, os compradores irão considerar novas entradas. Eles precisarão ver sinais de que os vendedores estão sem capacidade de continuar a reversão de baixa e sem conseguir torná-la uma tendência de baixa.

Se a lateralidade durar 10 barras ou mais, os vendedores terão, então, uma chance melhor de transformar a tendência de alta em uma tendência de baixa. Eles normalmente precisam parar a tendência de alta por muitas barras, antes que os traders estejam dispostos a entrar nas vendas e segurar as suas posições vendidas para uma operação de swing.

Alvos para os vendedores

Se os vendedores conseguirem uma operação de swing na venda, um alvo importante é o fundo do clímax de compra mais recente. Ele é a mínima de 4 semanas atrás. A média móvel exponencial de 20 períodos e a máxima de agosto são magnetos também.

As 3 semanas anteriores à reversão de baixa da última semana formaram um rompimento. Naquelas semanas, os preços romperam acima da máxima antiga, que é a máxima de agosto. Esse foi, portanto, o ponto de rompimento. Após um rompimento, há normalmente uma correção até o ponto de rompimento. Os traders querem ver se os compradores entrarão novamente naquele ponto. Se um número suficiente de compradores entrar naquele ponto, a tendência de alta continuará.

Após uma grande perna de alta seguida de uma grande perna de baixa, há uma grande confusão

A queda da última semana foi grande, embora não tão grande quanto foi o rali antes dela, cuja duração foi de 3 semanas. No entanto, a queda foi suficientemente grande para gerar confusão. Os traders querem saber por quanto tempo o movimento de lateral a descendente irá durar e o quão longe ele irá. Os traders normalmente precisam de muitas semanas, antes de chegar a alguma conclusão.

Nesse ínterim, eles estão em dúvida. Quando os traders estão com dúvidas, eles não estão dispostos a segurar as suas posições por muito tempo. Além disso, eles preferem comprar baixo e vender alto. O resultado é uma lateralidade, e é isso o que os traders devem esperar ao longo do próximo mês.

Quando o mercado está em uma lateralidade, há normalmente mais traders buscando comprar abaixo de barras e vender acima de barras. Eles apostam em reversões, ao invés de apostar em tendências. Consequentemente, ainda que esta última semana tenha formado uma barra de sinal de venda, a reversão de baixa provavelmente será minoritária. Isso significa que os traders esperam que a 1ª perna de baixa leve a uma lateralidade, e não a uma tendência de baixa.

Gráfico semanal do par EURUSD no mercado de Forex:
Correção após um clímax extremo de compra

EURUSD Forex bear trend reversal after strong bull breakout

Legendas:
Grande barra de tendência de baixa e de reversão, após um rompimento de alta extremamente forte
Grande Perna de Alta seguida por Grande Perna de Baixa cria uma Grande Confusão e torna provável uma lateralidade
Deve ficar de lateral e descendente por, pelo menos, algumas semanas

O gráfico semanal do par EURUSD, na última semana, formou uma grande barra de reversão de baixa, após duas fortes barras de alta. O rali representado por essas duas barras de alta foi o mais forte dos últimos 2 anos. Ele rompeu bem acima da linha de tendência de baixa traçada há 18 meses, e acima da máxima mais baixa majoritária formada em janeiro. Os traders estão concluindo que a tendência de baixa, que já durava dois anos, terminou.

O fim de uma tendência de baixa significa o início de uma tendência de alta ou de uma lateralidade. A ocorrência de uma lateralidade é mais comum. A grande barra de baixa dessa última semana aumenta a chance de que haja uma lateralidade por pelo menos algumas poucas semanas. Uma Grande Perna de Alta seguida de uma Grande Perna de Baixa leva a uma Grande Confusão2. Traders confusos são rápidos em sair de suas posições. Isso limita o movimento de alta e de baixa, e normalmente cria um movimento lateral.

Provável 2ª perna de alta, após a 1ª correção

Independentemente de ser o início de uma tendência de alta ou somente uma forte perna de alta naquilo que virá a ser uma lateralidade, o rali foi suficientemente forte para que os traders esperem por pelo menos uma 2ª pequena perna de lateral a ascendente.

Contudo, esse rali foi tão extremo que os compradores estão exaustos. Compradores exaustos normalmente realizam pelo menos algum lucro. Tipicamente, eles não buscam entrar novamente após poucas barras. Se eles quisessem entrar poucas barras depois, eles não sairiam de suas posições compradas.

Eles sabem que muitos compradores irão realizar lucros e que os vendedores começarão a entrar. Normalmente, os compradores dão aos vendedores pelo menos duas chances para que estes últimos criem uma tendência de baixa. Após duas pernas de laterais a descendentes, os compradores decidirão se os vendedores estão falhando naquela tentativa de conseguir a sua tendência de baixa. Se os compradores enxergarem um bom setup de compra, irão comprar novamente, buscando uma retomada da tendência de alta.

Por outro lado, se as vendas mantêm os preços caindo por 10 ou mais barras, os compradores continuarão na espera. Se a queda durar um mês ou mais, e apresentar uma retração de 60% ou mais do rali anterior, os traders concluirão que o rompimento de alta foi o início de uma lateralidade, e não o início de uma tendência de alta.

O que dizer da próxima semana no gráfico diário?

EURUSD daily Forex bear trend reversal after parabolic wedge buy climax

Legendas:
Reversão de baixa após clímax de compra em forma de cunha parabólica
Espere pelo menos 2 semanas e 2 pernas de laterais a descendentes
Já atingiu alvos principais:
Foi abaixo do ponto de rompimento de 31 de janeiro e da média móvel, fez uma correção de 50% e
foi até o fundo do último clímax de compra (3 grandes barras de alta)

A reversão de baixa ocorrida na última semana foi forte o suficiente para fazer os traders pensarem que uma realização de lucros importante se iniciou. Eles, portanto, esperam que se forme um par de pernas de laterais a descendentes nas próximas semanas.

O 1º alvo é o fundo do clímax de compra mais recente. No gráfico diário, esse alvo é a mínima das 3 grandes barras de alta formadas na penúltima semana. Ele está por volta da máxima de janeiro, que é o ponto de rompimento e, assim, é um magneto. Adicionalmente, aquele alvo também está próximo à média móvel exponencial de 20 períodos. Um outro alvo comum é uma correção de 50% da perna anterior. A queda de quinta-feira atingiu todos esses alvos.

Alguns compradores entrarão acima da máxima da barra anterior no gráfico diário, esperando que a tendência de alta rapidamente seja retomada. Após 4 barras de baixa consecutivas, provavelmente haverá mais vendedores do que compradores acima de barras, durante pelo menos algumas semanas. Os compradores terão uma probabilidade maior de ganhar dinheiro se esperarem até que os preços do par EURUSD façam duas pernas de laterais a descendentes e comecem a formar barras de alta.

Gráfico mensal do Emini (S&P500):
Grandes barras de baixa consecutivas, mas ainda em uma lateralidade que já dura 2 anos

Emini S&P500 futures monthly chart testing bottom of 2 year trading range

Legendas:
Grandes barras de baixa consecutivas a partir do topo do canal de alta
Até agora, corpo grande de alta, mas grande sombra inferior
Compradores querem que o mês feche próximo à sua abertura, e bem longe da linha de tendência de alta
Ainda em uma lateralidade que já dura 2 anos

Até fevereiro, o gráfico mensal do Emini estava em uma forte tendência de alta, que vinha desde 2009. Eu mencionei diversas vezes que o clímax de compra no final de 2017 era o mais extremo na história. Isso era válido tanto nos gráficos diário, semanal ou mensal. Era provável haver uma pausa e, daí, mais uma perna de alta, antes de ocorrer uma correção maior.

E foi isso o que aconteceu. Ano passado, ocorreu um 2º clímax de compra, após 2 anos de movimentos laterais. No gráfico mensal, o mercado de ações fez uma reversão de baixa violenta ao longo dos últimos 2 meses.

Mas dois meses de baixa não caracterizam uma tendência de baixa. É mais provável que a queda dos preços no gráfico mensal venha a ser uma perna de baixa naquilo que se tornará uma lateralidade por vários meses. Porém, as chances favorecem uma tendência de baixa, mesmo que aconteça uma lateralidade por vários meses antes disso.

Há um suporte na mínima do clímax de venda que ocorreu em dezembro de 2018. Essa queda inicial pode ter sido concluída na semana passada e próximo àquele suporte. A sombra inferior significativa no candlestick de março é um sinal de compras fortes.

Possível topo em forma de Ombro-Cabeça-Ombro a se formar mais tarde neste ano

Se houver um repique de preços que dure vários meses e, a partir dali, uma outra reversão de baixa, os traders se perguntarão se a lateralidade que já dura 2 anos está formando um topo em formato de Ombro-Cabeça-Ombro (OCO). Se os vendedores conseguirem uma máxima mais baixa com uma boa barra de sinal de venda, haveria uma probabilidade de 40% a favor de uma tendência de baixa.

Enquanto houver uma chance de 40% de que qualquer sinal leve a uma tendência de baixa, há uma probabilidade de 50% de que essa tendência de baixa comece dentro de 12 meses no gráfico mensal.

O alvo óbvio para os vendedores seria o movimento projetado baseado no tamanho da lateralidade que já dura 2 anos. Lembre-se, pode haver um topo em forma de OCO se tivermos vários meses de movimento lateral. Aquele alvo do movimento projetado estaria por volta do fundo da lateralidade que se formou nos anos de 2014 e 2015, o que representaria uma correção de cerca de 40%.

Movimentos laterais pela próxima década

Eu disse no final de 2017 que haveria um topo formado dentro de 5 anos, e que ele iria levar a algumas correções de 40% a 50% no decorrer da década seguinte. A máxima de fevereiro pode ser esse topo. Mas o gráfico mensal pode ficar em movimentos laterais por um ano ou mais, antes de haver uma 2ª perna de baixa.

Eu também disse que o mercado de ações provavelmente ficará em uma grande lateralidade durante a próxima década. Isso é válido ainda que ocorram novas e breves máximas durante essa década.

Os traders ainda devem esperar por isso, pois é o que tipicamente acontece após um clímax extremo de compra. Os preços dos ativos vão muito além dos fundamentos e leva uma década para que os fundamentos justifiquem aqueles preços. Isso ocorreu nos anos 70 e nos anos 2000.

Essa queda de preços pode ser uma armadilha de venda?

Essa queda pode ser simplesmente uma correção abrupta dentro de uma tendência de alta que já dura 12 anos? Uma armadilha de venda? Os compradores têm uma probabilidade de 30% de que seja isso. Após movimentos climáticos de compra consecutivos (2017 e 2019), e em um mercado que nunca esteve tão sobre comprado em sua história, há 70% de probabilidade de haver pelo menos 2 pernas de laterais a descendentes.

A queda atual, que já está em seu segundo mês, está formando a 1ª perna de baixa. Os traders estão decidindo onde essa primeira perna de baixa terminará. Ela pode terminar a qualquer momento. Pode ter acabado nessa última semana.

Mas, ainda que haja uma forte reversão de alta no decorrer dos próximos meses, as chances ainda favoreceriam uma 2ª perna de lateral a descendente, após o rali. Os traders devem assumir que o melhor a ser obtido pelos compradores ao longo dos próximos meses é um repique dentro de uma lateralidade, e não uma retomada da tendência de alta.

Gráfico semanal do Emini (S&P500):
Forte queda de preços testando o fundo da lateralidade do ano passado

Emini S&P500 futures weekly chart parabolic wedge sell climax at bull trend line

Legendas:
Clímax de venda em forma de cunha parabólica
Reversão de alta após o teste da mínima de dezembro de 2018 e da linha de tendência de alta de 12 anos
Rali provocado pela zeragem de posições vendidas, com duração de 2 a 4 semanas
Vendedores entrarão no rali que venha a durar de 2 a 4 semanas, uma vez que uma 2ª perna de lateral a descendente é provável

O gráfico semanal do Emini apresentou uma queda forte nas 3 últimas semanas. Ele rompeu abaixo da linha de tendência de alta que já vem traçada há 12 anos, mas se manteve acima do fundo de dezembro de 2018 e que é o fundo da lateralidade que já dura 2 anos. As fortes compras que ocorreram no final do pregão de sexta-feira levaram o preço a ficar acima da linha de tendência de alta, bem como o levaram para o ponto médio da amplitude da semana.

A queda pode continuar e ir diretamente até a mínima de dezembro de 2018, em 2343,25? Há uma probabilidade de 40% neste momento de que o colapso dos preços atinja tal alvo, antes que ocorra pelo menos um rali provocado pela zeragem de posições vendidas.

A queda tem sido excepcionalmente extrema. Muitos vendedores estarão ansiosos para realizar em breve um pouco de seus lucros extraordinários. Adicionalmente, uma reversão de alta pode vir a ser violenta. Ela pode ter começado nos 30 minutos finais da última sexta-feira.

Estamos chegando perto do final do trimestre. As duas últimas semanas de março têm estatisticamente um viés altista. Esse é um outro fator que pode contribuir em breve para um forte rali motivado pela zeragem dos vendedores.

Gráfico diário do Emini (S&P500):
Reversão de alta a partir de um clímax de venda em forma de cunha parabólica

Emini S&P500 futures daily chart trend reversal up after parabolic wedge sell climax

Legendas:
Rali provocado pelos vendedores, e reversão de alta a partir de um clímax de venda em forma de cunha parabólica
Alvos são as máximas mais baixas de 10 de março e de 3 de março
Espere por um rali motivado pelos vendedores, e então por uma lateralidade por várias semanas
2 pernas de laterais a ascendentes são prováveis

O gráfico diário do Emini está em uma tendência de baixa. Essa tendência de baixa se refere ao comportamento do gráfico.

Assim que a queda atinge os 20%, a definição de um mercado de baixa (bear market) se junta a essa tendência de baixa. Os índices S&P500, Dow e Nasdaq atingiram na semana que passou os 20% de queda em relação às suas máximas históricas. E esses 3 índices estão também em uma tendência de baixa nos gráficos diário e semanal.

Uma vez caracterizado o mercado de baixa, a mínima final vai normalmente bem além dos 20%. A queda média, em um mercado de baixa, é de 28% e a duração média do mercado de baixa é de 13 meses. Ainda em termos estatísticos, leva em média 21,9 meses para que o mercado consiga chegar a uma nova máxima, após caracterizado o mercado de baixa. Para facilitar as coisas, eu espero que um mercado de baixa caia cerca de 30% ao longo de 1 ano, e leve 2 anos para que ele consiga chegar em uma nova máxima.

Há muita variação quando pensamos em uma tendência de baixa. Algumas tendências de baixa terminam muito mais cedo e raramente vão mais do que 20%. Outras duram anos e fazem com que os preços caiam mais do que 50%. É muito cedo para saber o que acontecerá desta vez.

Mas essa queda tem sido excepcionalmente severa. Além disso, a queda se seguiu a dois movimentos climáticos em 2017 e 2019. O de 2017 foi o movimento climático mais extremo na história do mercado acionário. Além do mais, essa foi a tendência de alta mais duradoura na história. Os traders devem esperar que esse mercado de baixa caia mais e leve mais tempo do que a média.

O Emini já caiu 28%

A mínima à qual o Emini chegou na última semana ficou 28% abaixo da máxima histórica. Além disso, o índice S&P500 fechou na última quinta-feira 27% abaixo de seu fechamento mais alto. Ambos os percentuais atingiram a média de queda de um mercado de baixa.

É importante notar que o rali que ocorreu no final do pregão da última sexta-feira colocou o fechamento do índice nos 2711,02. Por que isso é importante? Porque os 20% de correção a partir do fechamento mais alto do índice está nos 2708,92. E é esse número que define o mercado de baixa.

Um dos objetivos dos compradores que criaram o forte rali de 175 pontos na meia-hora final de sexta-feira era fazer com que o fechamento voltasse a esse nível de 20% de correção. Os compradores tiveram êxito por 2 pontos!

Portanto, os vendedores conseguiram apenas um fechamento diário abaixo daquele preço mágico e, então, falharam ao tentar manter o fechamento semanal abaixo desse preço. A perspectiva para os vendedores seria melhor se eles tivessem conseguido fechamentos diários consecutivos abaixo daquele preço e um fechamento semanal também abaixo do preço. A falha em conseguir isso é um sinal de que os compradores podem estar retomando o controle, pelo menos temporariamente. Isso aumenta a chance de um forte rali ao longo das duas próximas semanas.

Lembre-se que as tendências de baixa normalmente têm pelo menos uma pequena segunda perna de baixa após a 1ª forte reversão de alta. Consequentemente, a mínima dessa última semana provavelmente não se manterá como a mínima da tendência de baixa. As chances favorecem uma mínima mais baixa. Isso quer dizer que a correção será de pelo menos 30% em relação à máxima histórica. Há uma probabilidade de 40% de que essa correção atinja cerca de 40%.

Provável rali forte provocado pelos vendedores, após um clímax de venda em forma de cunha parabólica

Com a força dessa queda recente, houve 3 pernas de baixa em um canal estreito de baixa. A 3ª perna de baixa foi abaixo da linha de canal de baixa traçada a partir dos fundos das duas primeiras pernas. Isso é um clímax de venda em forma de cunha parabólica. Quando ela é extrema, normalmente atrai a realização de lucros pelos vendedores.

Além disso, muitos compradores entrarão, esperando por um forte rali motivado por aquela zeragem de posições dos vendedores. Eu mencionei em minha sala de chat na sexta-feira que havia comprado opções de compra do SPY3 próximo ao fundo da queda de preços que ocorreu na manhã daquele dia.

Tudo vai subir durante um rali provocado pelos vendedores

É importante verificar que todos os setores apresentaram fortes quedas recentemente. Assim, todos eles provavelmente irão fazer um rali. É provável que os caçadores de valor comprem simplesmente quase todos os ativos, buscando uma operação de até algumas semanas.

Os vendedores comprarão de volta as suas vendas de maneira frenética, assim que notarem que o mercado não continuou a cair. Mas, após um par de pernas de alta, eles procurarão vender novamente. Eles sabem que as chances favorecem a ocorrência de uma 2ª perna de baixa, após uma queda tão extrema como a que aconteceu.

O rali motivado pela zeragem de posições vendidas, após um fundo em forma de cunha, tem pelo menos duas pernas de laterais a ascendentes. Esse rali normalmente encontra resistência no topo da correção que se seguiu à segunda perna de baixa do movimento de baixa recente. Esse topo é a máxima de 10 de março, nos 2873,50.

Ainda que esse topo possa representar o final do rali, com mais frequência se verifica que o rali continua subindo até o início do canal de baixa em forma de cunha. Esse início de canal é a máxima de 3 de março, nos 3125,75.

Após o fechamento da última sexta-feira, a probabilidade era de 60% de que o rali já começou. Se a segunda-feira ou a terça-feira forem dias fortes de alta, haverá uma probabilidade de 70% de ocorrer um forte rali provocado pela zeragem de posições vendidas.

O mercado pode continuar o seu colapso? Improvável. Há uma probabilidade de 30% de que a queda continue até abaixo da mínima de 2018, antes que haja um repique que venha a durar 3 dias.

75% de chance de recessão

Têm ocorrido movimentos climáticos de compra excepcionalmente extremos nos gráficos diário, semanal e mensal, no decorrer dos últimos 2 anos. Esses padrões me levaram a escrever há vários meses que havia uma chance de 75% de vermos uma recessão em 2020.

Raramente isso é uma coisa certeira no mundo financeiro. Porém, muitos negócios estão reduzindo drasticamente os seus serviços. O turismo é o exemplo mais óbvio. Além disso, quando o valor das ações cai muito, riqueza é perdida e o consumo cai. Isso se espalha na economia e causa demissões e uma consequente redução de consumo. Atualmente, eu acredito as chances de recessão são de pelo menos 75%, e eu suspeito que estejam próximas de 100%.

Coronavírus não é o problema

A mídia está culpando o coronavírus, mas isso é uma característica dos meios de comunicação. Eles acreditam que todas os eventos importantes são causados por algo que eles noticiam. O sol gira em torno deles. Eles são o centro do universo.

Se a tendência de baixa se deve ao coronavírus, por qual motivo eu disse repetidamente há 2 anos que o Emini entraria dentro de 2 anos em uma lateralidade que duraria 10 anos? Eu disse aquilo porque o clímax de compra de 2017 era o mais extremo da história. Esse clímax era forte o bastante para ter pelo menos uma pequena 2ª perna de alta, mas era provável que viesse a se tornar o início da formação de um topo majoritário. O clímax de compra de 2019 completou aquele topo.

Assim, você pode pensar nestes dois últimos anos como uma bomba sendo montada pelos investidores no mercado. O coronavírus apertou o botão e explodiu tudo em volta. Mas a bomba seria detonada de qualquer maneira. Se não houvesse pandemia, algum outro cisne negro teria aparecido e iniciaria a explosão.

Clímax de compra mais extremo na história

Como mencionei acima, eu disse há 2 anos que o mercado estava formando o clímax de compra mais extremo na sua história. Além disso, eu o comparei repetidamente com os ralis dos anos 60 e do final dos anos 90. Eu também disse que ambos os ralis levaram a lateralidades que duraram os 10 anos seguintes, e que os traders deveriam esperar o mesmo desta vez.

Em alguns anos, o coronavírus não estará mais na mídia. Então, por que a tendência de alta não continuará? E por que a lateralidade não dura apenas 5 anos? Ainda será por conta do coronavírus? Claro que não. Movimentos climáticos extremos precisam de um longo tempo para serem resolvidos. Provavelmente levará uma década para isso.

Em alguns anos, você não mais ouvirá falar do coronavírus nos meios de comunicação. Se o mercado ainda estiver em movimentos de laterais a descendentes, você ouvirá dizer como o mercado de ações não estava gerando os ganhos que os traders esperavam em 2019 e 2020. Você também ouvirá dizer que o mercado foi sustentado pelo Fed (Banco Central do EUA) e pela sua injeção incrível de liquidez. Na verdade, as razões anteriores são as razões reais desse mercado de baixa, e eu suspeito que tais razões demorarão muitos anos para se dissipar. Elas estarão aqui muito tempo depois de não ouvirmos mais falar do coronavírus e, portanto, esse vírus acabou se tornando uma desculpa temporária, e não o principal problema a ocasionar o movimento de longo prazo.

Esse é um mercado de baixa secular ou cíclico?

Estes são outros termos que você ouvirá falar algumas vezes. A diferença mais simples entre eles é que uma tendência cíclica de baixa tem um prazo mais curto, durando de 1 a 3 anos. É uma correção dentro de uma tendência secular.

Uma tendência secular dura muitos anos, ou até uma década. Ela contém normalmente uma ou mais tendências cíclicas de alta e de baixa, mas as forças que movem a tendência secular permanecem intactas.

Quando uma queda atinge cerca de 20% e dura cerca de 1 ano, os traders a chamam de um mercado cíclico de baixa. Isso faz com que ela seja apenas uma correção prolongada dentro de uma tendência de alta muito maior.

Se o mercado cair 40%, os traders começarão a se referir à queda como uma tendência ou um mercado secular de baixa. Lembre-se: o termo “tendência” denota o padrão gráfico e o termo “mercado de baixa” se refere a uma perda de mais de 20% a partir da máxima histórica. Quando ocorre um mercado de baixa, o gráfico diário já está usualmente em uma tendência de baixa.

Em um mercado secular de baixa, ocorrem tendências cíclicas de alta. O ganho médio dessas tendências cíclicas é de cerca de 65%, mas elas terminam por volta de 18 meses, e dali acontece outro swing de baixa.

Uma vez que eu acredito que o mercado ficará em movimentos laterais por cerca de uma década, o mercado secular de alta que já dura 12 anos está provavelmente chegando ao seu fim. Se o mercado ficar lateral por alguns poucos anos, os traders começarão a se referir a ele como sendo um mercado secular de baixa. Assim, eles assumirão que qualquer rali irá falhar ao tentar ir além da máxima antiga.

As forças econômicas mundiais podem se tornar baixistas

Os gráficos estão indicando que as forças econômicas mundiais estão fazendo a transição para o modo baixista, após um modo altista que durou 12 anos. É impossível saber com certeza se isso de fato está ocorrendo, durante pelo menos alguns anos, mas é isso o que aconteceu nos anos 70 e nos anos 2000. Ambas as lateralidades que duraram uma década sucederam fortes tendências de alta. O preço foi muito além dos fundamentos. Levou cerca de uma década para que os fundamentos justificassem os preços.

Tem havido uma tendência secular de alta desde 2009. Se houver agora um mercado secular de baixa, as forças baixistas provavelmente controlarão o mercado por cerca de uma década. Essas forças eventualmente prevalecerão sobre cada rali de 1 a 2 anos que ocorrer.

Mesmo que possam acontecer uma ou mais novas e breves máximas no decorrer da próxima década, se o mercado está de fato em uma tendência secular de baixa ele provavelmente será incapaz de ir muito acima das máximas anteriores. Além disso, ele provavelmente falhará em ficar acima delas por muito tempo.

Ótima oportunidade para incrementar os investimentos da aposentadoria? NÃO!

Um amigo meu me disse que vê nessa queda recente uma ótima oportunidade de compra para os investimentos de sua aposentadoria, tal como aconteceu com qualquer outra queda nos últimos 12 anos. Ele disse que comprou na penúltima semana, quando o mercado estava caindo 10%. Eu lhe disse que cada queda nos últimos 12 anos havia sido minoritária. Portanto, sim, mesmo uma reversão de baixa de 10% provavelmente iria voltar a subir em direção a uma nova máxima. O mercado estava em uma tendência secular de alta. Toda a queda de preços era uma oportunidade de compra, pois uma nova máxima era provável.

Mas o mercado é agora um mercado de baixa. E pode se tornar uma tendência secular de baixa. Isso é diferente de tudo o que ocorreu nos últimos 12 anos. Você não pode operar da mesma forma que vinha operando antes. Este não é o momento para comprar, a menos que você seja um trader em busca de ralis ocasionais, provocados pelos vendedores. Ainda assim, você perderá dinheiro caso não saiba como gerenciar corretamente as suas operações.

Ainda que o mercado se torne um mercado cíclico de baixa, a mínima ainda está provavelmente para acontecer daqui a muitos meses, ou até daqui a um ano. Não há necessidade de os investidores comprarem agora. Eles podem comprar mais barato daqui a cerca de um ano.

Além disso, normalmente leva por volta de 1 ano antes de haver um teste de máxima, após o início do mercado de baixa. Consequentemente, não há pressa para comprar.

Finalmente, se eu estiver certo e o mercado ficar em uma lateralidade por 10 anos, os investidores ficarão frustrados por conta da falta de ganhos gerados por suas ações. Os traders que esperarem para comprar em correções de 30% a 50%, e então realizar lucros em ralis de cerca de 50%, provavelmente se sairão melhor do que aqueles que investem através da estratégia de buy and hold (comprar e segurar), ao longo da próxima década.

O que esperar para a próxima semana

O gráfico diário fez 3 pernas de baixa dentro de um canal estreito de baixa. Isso é uma queda em forma de cunha parabólica. Normalmente, ela atrai aqueles que querem realizar lucros, especialmente quando a queda foi extrema e está perto de um suporte importante. A mínima de dezembro de 2018 e a linha de tendência de alta já traçada há 11 anos são suportes importantes. Por consequência, os traders estão procurando que, dentro de mais ou menos 1 semana, se inicie um rali de 1 a 2 semanas, provocado pela zeragem de posições dos vendedores.

Esse rali pode ter se iniciado na forte subida de preços dos últimos 30 minutos do pregão de sexta-feira. Se o mercado abrir com gap de alta na segunda-feira, seria formado um fundo de 2 dias em forma de ilha de reversão. Isso aumentaria a chance de acontecer um forte rali.

1 Nota de tradução: a palavra “rali” aqui é usada com o mesmo sentido da palavra inglesa rally, que denota um movimento de alta.

2 Nota de tradução: Al Brooks cunhou a expressão “Big Up, Big Down, Big Confusion” (Grande Alta, Grande Baixa, Grande Confusão) em seus textos, e a utiliza bastante quando quer mostrar que grandes pernas de alta/baixa seguidas de grandes pernas de baixa/alta tornam o movimento pouco conclusivo e, por isso, normalmente são uma marca de uma lateralidade.

3 Nota de tradução: SPY é um ETF (Exchange-Traded Fund) negociado na NYSE (New York Stock Exchange, a bolsa de Nova York). Esse ETF replica as ações do índice S&P500 e atualmente é o ETF mais negociado do mundo.

* Esta tradução livre para o português tem fins exclusivamente didáticos, foi autorizada por Al Brooks e não pode ser reproduzida ou utilizada de nenhuma forma sem autorização expressa do autor ou editor, exceto para uso em citações breves e desde que com a devida citação da fonte em sua reprodução. O texto original em inglês pode ser encontrado no seguinte link do website do autor: https://www.brookstradingcourse.com/market-analysis/emini-strong-short-covering-rally-march-parabolic-wedge-bottom/.

Tradução: Filipe Mano (Aluno do Treinamento ao vivo)

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