Relatório Semanal – Al Brooks – 21/03/2020

Crash do Emini, provocado pela crise do coronavírus, deve apresentar um repique em breve

20 de março de 2020, por Al Brooks

Visão Geral de Mercado: Atualização de Final de Semana

O Emini (contrato futuro do S&P500) continua em queda, sem sinal de formação de um fundo. Ele pode ser obrigado a testar o nível de 2000 pontos antes que se inicie um forte rali1 motivado pela zeragem de posições vendidas.

O mercado futuro de T-bonds de 30 anos recuou, após um clímax extremo de compra. Os traders esperam que fique em uma lateralidade por vários meses.

O par EURUSD no mercado de Forex fez uma nova mínima, dentro de sua tendência de baixa que já dura 2 anos. Barras consecutivas de baixa fechando abaixo da mínima de fevereiro fazem com que seja provável vermos preços pelo menos ligeiramente mais baixos.

Gráfico semanal do mercado futuro de T-bonds de 30 anos:

Reversão de baixa após clímax extremo de compra

Legendas:

Forte reversão de baixa a partir de níveis acima dos topos de dois canais de alta

Sombra significativa em ambas as barras quer dizer que há equilíbrio

Grande perna de alta, grande perna de baixa, portanto grande confusão e provável lateralidade

Deve ocorrer movimentação de lateral a descendente por pelo menos várias semanas

Os alvos são a mínima do clímax de compra de 21 de fevereiro, a média móvel e a máxima de 28 de agosto, que foi o ponto de rompimento

A correção pode chegar na mínima de 7 de novembro, que é o fundo do triângulo

Triângulo frequentemente é uma Bandeira Final e um magneto

Os contratos futuros dos T-bonds de 30 anos recuaram nas duas últimas semanas, após o seu mais extremo clímax de compra na história, tanto no gráfico semanal quanto no gráfico mensal. Essa reversão de baixa provavelmente levará a uma continuação de uma movimentação de lateral a descendente por alguns meses. O objetivo mínimo típico nessa situação é a ocorrência de 2 pernas de laterais a descendentes durante cerca de 10 barras.

Quando acontece um movimento no qual há uma Grande Perna de Alta e, logo após, uma Grande Perna de Baixa, há uma Grande Confusão2. Os traders buscam reversões, pois acreditam que os movimentos de alta e de baixa não levarão a tendências. Consequentemente, os traders devem esperar por uma lateralidade, possivelmente por vários meses.

Uma reversão a partir de um clímax de compra normalmente testa o fundo do rali climático mais recente. No gráfico semanal, esse fundo é a mínima das 3 grandes barras de alta que levaram os preços até o topo da penúltima semana. Essa mínima está por volta dos 161. O topo da lateralidade que pode se formar fica tipicamente próximo a uma máxima mais baixa. No gráfico diário (não mostrado aqui), houve uma máxima mais baixa por volta dos 184. Assim, a lateralidade pode ficar entre 160 e 185, o que representa uma amplitude bastante significativa.

Se a provável lateralidade começar a se formar, muitos traders procurarão fazer operações para lucro rápido. Isso significa que farão operações de scalp que duram de 1 a 5 barras (1 a 5 semanas, uma vez que estamos tratando aqui do gráfico semanal). Eles comprarão em barras de reversão de alta logo acima dos preços de 160 a 165, e venderão em barras de reversão de baixa a partir de preços entre 180 e 185. Após isso, eles realizarão lucros quando os preços atingirem o meio da lateralidade.

A correção de 2 semanas pode ser uma bandeira de alta?

Tendências continuam por muito mais tempo do que parece razoável. Porém, em algum ponto, algo faz com que seja provável uma pausa na tendência, ou o seu fim. Essa forte reversão de baixa após o clímax extremo de compra é suficiente para terminar com a tendência de alta, pelo menos por cerca de 10 barras e 2 pernas de laterais a descendentes.

Neste ponto, se os vendedores forem incapazes de criar uma tendência de baixa, os compradores começarão a entrar novamente. Estes últimos querem que a correção seja uma pausa na tendência de alta, e não o fim da tendência. Provavelmente, não haverá uma tentativa de retomada da tendência de alta, até uma nova máxima, por pelo menos alguns meses.

Clímax de compra também no gráfico mensal

O clímax de compra também é extremo no gráfico mensal. Se este mês fechar abaixo da abertura, ele será um candlestick de reversão de baixa no gráfico mensal. Os traders, então, procurarão ver também um movimento de 10 barras e 2 pernas de laterais a descendentes. Esse movimento, no gráfico mensal, representa cerca de 1 ano inteiro. O alvo nesse gráfico é o fundo da perna climática de alta mais recente. Esse fundo foi a mínima de janeiro, por volta dos 154.

Gráfico semanal do par EURUSD no mercado de Forex:

Rompimento até uma nova mínima, dentro da tendência de baixa de 2 anos

Legendas:

Forte barra de reversão e de tendência de baixa, após um forte rompimento de alta

Se a próxima semana também for uma barra de baixa, os preços podem continuar caindo até a paridade (1,00)

Compradores querem uma barra de alta na próxima semana, para criar um fundo no triângulo expandido

 O preço do par EURUSD, no gráfico semanal, colapsou ao longo das duas últimas semanas, após apresentar um rompimento acima do canal de baixa iniciado há dois anos. Durante um ano, mencionei diversas vezes que havia um gap acima da máxima de 7 de abril de 2017 e que ele era um potencial magneto. A mínima de fevereiro ficou 1 pip acima do fundo do gap.

A partir dali, houve então um forte rali até níveis acima do canal de baixa iniciado há 2 anos. Os traders corretamente concluíram que o gap foi testado com sucesso3 e que a tendência de baixa havia terminado. O gráfico semanal estava em uma tendência de alta ou em uma lateralidade há 2 semanas atrás.

Com a queda desta última semana, que foi abaixo da mínima de fevereiro, o par EURUSD formou uma nova mínima em sua tendência de baixa de 2 anos. Mas ainda pode estar formando uma mínima levemente mais baixa dentro da lateralidade que já dura 8 meses. Se houver uma forte reversão de alta dentro de algumas semanas, o preço poderia voltar ao ponto médio da lateralidade de 8 meses. Assim, o movimento buscaria uma maior neutralidade, embora permanecesse ainda ligeiramente mais baixista por conta da nova mínima atingida na semana passada.

É importante notar que se o gráfico semanal do par EURUSD fizer uma barra com corpo de baixa e um segundo fechamento consecutivo abaixo da mínima de fevereiro, os traders esperarão uma segunda perna de baixa, após a ocorrência do primeiro repique que venha a durar de 1 a 3 semanas.

Além disso, eles irão esperar que a queda atinja a próximo suporte. Esse suporte é a mínima de janeiro de 2017, em 1,0340. Se o par EURUSD romper abaixo desse suporte, o suporte seguinte será a paridade (1,00).

O rompimento de baixa desta última semana é uma armadilha de baixa?

E se o candlestick da próxima semana tiver um corpo de alta e fechar acima da mínima de fevereiro, ou até na máxima da semana? Neste caso, os traders irão suspeitar que o rompimento desta última semana pode falhar. Ele pode ser uma armadilha de baixa e a 3ª perna de baixa em um triângulo expandido. Os primeiros dois fundos foram as mínimas de outubro e fevereiro.

Qualquer triângulo é uma lateralidade. Portanto, mesmo que o preço rompa abaixo de uma lateralidade horizontal, ainda é possível que os preços estejam dentro de um triângulo expandido, que também representa uma lateralidade. No entanto, no gráfico diário (não mostrado aqui), tanto a barra de quinta-feira quanto a de sexta-feira foram barras de baixa que fecharam abaixo da mínima de fevereiro. Isso torna provável que o mercado vá para preços pelo menos ligeiramente mais baixos.

Se, na próxima semana, os compradores conseguirem 1 ou 2 barras de alta no gráfico diário, especialmente fortes barras de alta fechando perto de suas máximas, os traders suspeitarão que o rompimento de março foi uma armadilha de baixa e que a lateralidade de 8 meses permanece intacta. Esse rali reduziria a chance de um movimento de queda até a paridade.

Neste momento, as chances favorecem preços mais baixos. Essa probabilidade mudará a depender do que aconteça na próxima semana.

Impacto da pandemia de coronavírus

No mês passado, quando não havia sequer 100 casos de coronavírus nos EUA, eu disse que essa pandemia se tornaria um grande desastre. Disse também que entre 30% a 60% do país provavelmente seria infectado e que milhões poderiam morrer.

Embora eu seja um cirurgião oftalmologista, eu estudei uma subespecialidade que incluía doenças infecciosas. Eu não via como poderia se evitar uma pandemia. Os dados iniciais mostravam que um paciente médio infectava 3 pessoas e que o número de casos estava duplicando a cada 3 a 6 dias. Se você fizer o cálculo, chegará à conclusão que 1 pessoa leva a 3 infectados, daí a 9 infectados e assim por diante. Dentro de poucos meses, esse crescimento exponencial leva a milhões de infecções.

Além disso, não há um tratamento efetivo, e uma vacina demorará pelo menos 1 ano. Por isso, eu disse que 3 bilhões de pessoas ao redor do mundo, em última instância, poderiam ser infectadas e que essa seria a pior pandemia desde 1919.

Imunidade de grupo

A vida mudará novamente em 1 ou 2 meses. O número de infecções nos EUA chegará em breve na casa dos milhões e provavelmente nas dezenas de milhões. As chances são muito grandes de que uma pessoa não fique doente duas vezes. Assim, todos aqueles que se recuperarem estarão imunes. Essas pessoas não terão mais restrições, porque não ficarão mais doentes e não poderão transmitir a doença.

Uma vez que atingirmos certos números mágicos de pacientes curados, haverá menos pessoas para transmitir o vírus. Isso é chamado de imunidade de grupo (ou efeito rebanho). Para muitos vírus, uma verdadeira imunidade de grupo capaz de prevenir uma epidemia é de cerca de 95% da população. Isso não irá acontecer com o coronavírus. Mas, uma vez que cerca de 10% da população estiver curada e ficar imune, as restrições ficarão menos severas para todos. Essa situação continuará a melhorar, até que apareça uma vacina. E assim que a vacina estiver disponível, a vida voltará ao normal.

Eu penso que é útil ver o que aconteceu na pandemia de Gripe Espanhola de 1919. Ela começou na primavera. Assim que o verão chegou, o número de novos casos começou a diminuir. As pessoas pensaram que a pandemia havia terminado. No entanto, no outono a gripe retornou e foi tão devastadora quanto havia sido na primavera. Sim, eu acredito que a situação melhorará um pouco até o final de maio. Mas é um erro assumir que a pandemia acabou antes de termos uma vacina no próximo ano.

Quero levantar um último ponto. Todos presumem que haverá uma vacina, como ocorreu com a gripe comum e com o sarampo. É importante lembrar que não há vacina para o vírus da AIDS. Embora seja improvável, os cientistas podem descobrir que não conseguem criar uma vacina efetiva para o coronavírus também.

Muitos heróis

Penso que os governadores têm sido ousados, corajosos e proativos. Têm feito um ótimo trabalho de liderança, ao criar um caminho a ser seguido.

Infelizmente, seus planos de isolamento não impedirão o inevitável. Cerca de metade de todos os americanos serão infectados. Mas seus planos diminuirão a taxa de crescimento e isso salvará vidas. Não há ventiladores mecânicos suficientes para tratar o aumento de pacientes. Se o sistema de saúde ficar sobrecarregado como na Itália, muito mais pessoas morrerão.

Quero dizer também que muitas pessoas estão fazendo grandes coisas para ajudar a todos nós. Agricultores, caminhoneiros, trabalhadores de mercearias e farmácias, todos em qualquer estabelecimento médico, quaisquer pessoas cujo trabalho exija que sejam expostas ao público, e até mesmo todos os americanos que estão simplesmente fazendo seu trabalho e tentando evitar serem infectados, e especialmente tentando fazer o possível para não infectar os outros.

Não houve um desafio nacional como esse desde a Segunda Guerra Mundial. Era fácil supor que, ao fazer um trabalho tão bom na construção de nossa sociedade, nunca mais teríamos que enfrentar uma crise nacional dessa magnitude. A vida humilha a todos em algum momento, incluindo sociedades que desfrutaram de sua arrogância. Mas, apesar das dificuldades, é bom ser lembrado o quão boas as pessoas podem ser.

Impacto econômico: estamos em uma recessão

Existem muitas maneiras de determinar se uma economia está ou não em recessão. A mais usada é olhar para a taxa de crescimento do PIB. Se ela cair por 2 trimestres consecutivos, a economia está encolhendo. O noticiário irá dizer que estamos em recessão. Mas esse diagnóstico ocorre cerca de 6 meses após o início da recessão.

Estamos vendo que a economia está encolhendo. Todo mundo cancelou reservas de hotéis, passagens aéreas e cruzeiros, e ninguém vai a restaurantes ou ao shopping. Os gastos do consumidor estão muito baixos e milhões de pessoas estão sendo demitidas. O desemprego pode chegar a 10% ou mais. Estamos em recessão. O país está ganhando muito menos dinheiro e não há razão para pensar que voltará a crescer por muitos meses.

Os EUA ainda estão em choque. Isso vai durar mais alguns meses. Quando sabemos que um forte rali motivado pela zeragem de posições vendidas irá começar? Vou usar o papel higiênico como barômetro. Quando o Walmart e a rede Costco (assim como o Walmart, uma grande rede de varejo nos EUA) começarem a ter papel higiênico novamente, os EUA estão menos assustados. A partir dali, deve ocorrer um rali provocado pela cobertura de posição dos vendedores, e que deve durar muitos meses.

Um mercado de baixa (bear market) produz efeitos que duram muito tempo

O índice S&P500 iniciou um mercado em baixa (bear market) na semana passada, quando fechou 20% abaixo de sua máxima histórica. Quando há um mercado de baixa, a última mínima ocorre normalmente um ano depois. Se houver uma alta forte nos próximos meses, semelhante à de 2019, os traders assumirão que ela formará uma máxima mais baixa. Não será uma retomada da tendência de alta. Espere pelo menos mais uma nova baixa em cerca de um ano.

Além disso, essa nova mínima provavelmente estará de 40% a 50% abaixo da máxima anterior. Isso significa que teria que haver um rali de 50% a 100% para voltar à máxima antiga. Em média, são necessários dois anos para chegar a essa máxima anterior.

No entanto, eu falo sobre alguns fatores técnicos que são problemas para os compradores, logo abaixo neste relatório. A economia provavelmente ficará estagnada por uma década. Será difícil para o mercado ficar muito acima da máxima histórica atual por muitos anos.

Há problemas maiores do que a pandemia

Eu continuo afirmando que o clímax extremo de compra de 2017 e o caos visto nos últimos 2 anos significam que a economia estava com sérios problemas. E isso era verdade, apesar de especialistas em mercado de ações e políticos afirmarem continuamente que o mercado permaneceria subindo. O mercado estava nos dizendo há 2 anos que os estágios finais do rali haviam sido criados por manipulação insustentável, e não por ganhos corporativos. O governo e a indústria não foram capazes de dar continuidade à falsa tendência de alta.

A pandemia foi a palha que quebrou as costas do camelo4. Mas aquele pobre camelo já estava carregando muito peso e era apenas uma questão de tempo até que suas costas quebrassem.

A pandemia terminará em cerca de 1 ano, mas e daí?

Ouvimos os políticos e os economistas dizerem que a economia é forte e voltará a crescer assim que a pandemia terminar, dentro de um ano. Isso é porque eles não sabem ler gráficos.

Sim, em alguns anos o coronavírus não será mais um problema. Suponha que eu esteja certo e que o mercado de ações seja incapaz de obter uma nova alta significativa por muitos anos. Aposto que será daqui a uma década. O que dirão então os especialistas?

Se isso ocorrer, eles olharão para aquilo que aconteceu agora e apresentarão todos os tipos de razões para explicar que a tendência de alta de 12 anos não se baseou em fundamentos sólidos. Muitos alegarão que já sabiam que a economia estava realmente fraca, apesar da força do mercado de ações. Eles explicarão isso apontando para as intervenções do Fed, recompras de ações, baixas taxas de juros e praticamente qualquer outra coisa que venha à cabeça.

Eu tenho uma explicação mais simples. O clímax de compra mais extremo da história deve levar a uma lateralidade que durará uma década, assim como qualquer outro clímax de compra extrema fez no passado. Os gráficos nos disseram que os preços ficaram muito à frente dos fundamentos. Esse é o único fato absolutamente certo. Qualquer outra explicação é um sofisma.

O Preço é a Verdade

Inúmeros fatores contribuíram para o clímax da compra, mas quem se importa? É impossível e inútil saber quanto cada fator contribuiu para o clímax da compra. Eu estou nisso pelo dinheiro. Essas discussões não me ajudam a alcançar meu objetivo. Tudo o que me interessa é o que os gráficos estão dizendo. O Preço é a Verdade.

O mercado será favorável aos traders por um longo tempo, o que significa que decepcionará os investidores que adotam a estratégia de buy and hold (comprar a ação e mantê-la em carteira). Levará uma década para que os fundamentos alcancem os preços, permitindo que a tendência de alta seja retomada.

Gráfico anual do Emini (S&P500):

Barra externa de baixa

Legendas:

Gráfico anual do índice S&P500 (cada barra representa um ano inteiro)

Este ano negociou acima da máxima do ano passado e, então, foi abaixo da mínima do ano passado. Portanto, é uma barra anual externa de baixa

2020 é uma barra anual externa de baixa

Clímax de compra em forma de cunha parabólica

Série de movimentos climáticos de compra em um canal estreito de alta

Em um gráfico anual, cada barra corresponde a um ano inteiro. O ano passado apresentou uma barra muito grande e que se formou tardiamente em uma tendência de alta. No meu último relatório semanal de 20195, eu disse que provavelmente seria o fim da tendência de alta ou que poderia haver mais uma nova alta breve e que, após isso, seria o fim da tendência. Escrevi que havia um clímax de compra em forma de cunha parabólica nesse gráfico anual, e que isso provavelmente levaria a uma década de lateralidade.

Este ano, os preços foram acima da máxima do ano passado. Agora, os preços foram abaixo da mínima do ano passado. Dessa forma, 2020 é atualmente uma barra externa de baixa no gráfico anual. Essa é uma barra de sinal de venda para o próximo ano. Ela trará uma maior probabilidade de que os preços fiquem mais baixos se este ano fechar perto de sua mínima, e abaixo da mínima de 2019.

O que acontece após uma barra externa de baixa?

Quando uma grande barra externa de baixa se forma (e, neste caso, estamos tratando do gráfico anual), geralmente o próximo ano não forma uma barra grande. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de uma forte tendência de alta, como temos experimentado desde 2009. Com frequência, a barra seguinte negocia abaixo da barra externa de baixa e aciona o sinal de venda, mas ela se torna uma barra fraca de entrada. Se fechar perto de sua máxima, a barra seguinte se tornará uma barra de sinal de compra em forma de H1.

Às vezes, a barra seguinte a uma barra externa é uma barra interna. Isso significa que a mínima do próximo ano poderia ficar acima da mínima deste ano, e a máxima do próximo ano poderia ficar abaixo da máxima deste ano. Haveria então um padrão ioi (interna-externa-interna), que é um padrão de modo Rompimento. A entrada na compra ou na venda ocorreria no ano seguinte, em 2022. Eu sei que estou indo muito à frente, mas é útil pensar nisso.

Há um outro ponto a ser lembrado. Se 2021 for uma barra interna, ou se for negociada abaixo da mínima deste ano para depois se recuperar, ela irá se sobrepor bastante à amplitude deste ano. Nos dois casos, haveria três barras laterais no gráfico anual.

Eu disse repetidamente nos últimos 2 anos que o mercado de ações provavelmente ficará em uma lateralidade por cerca de uma década. Três barras laterais são o início de uma pequena lateralidade.

Gráfico mensal do Emini (S&P500):

Rompimento abaixo da lateralidade de 2 anos e da linha de tendência de alta traçada há 11 anos

Legendas:

Grandes barras de baixa consecutivas a partir do topo do canal de alta

Até agora, grande barra de baixa com fechamento abaixo da mínima de dezembro de 2018, que é o fundo da lateralidade de 2 anos

Compradores querem que o mês feche acima da mínima de dezembro de 2018, e próximo à linha de tendência de alta

Até o momento, a barra deste mês no gráfico mensal do Emini tem um corpo grande de baixa. Rompeu abaixo da linha de tendência de alta traçada há 11 anos e do fundo da lateralidade de 2 anos.

Restam 7 dias úteis para março. Esses dias faltantes podem alterar a aparência do candlestick deste mês. Dependendo de como o mês termina, abril pode ser uma barra de alta ou de baixa.

A linha de tendência de alta está atualmente em torno de 2600. Se os compradores conseguirem uma reversão acima dessa linha de tendência, haveria uma grande sombra inferior no candlestick de março. Enquanto os grandes corpos de baixa consecutivos tornam provável uma segunda perna de lateral a descendente, uma grande sombra inferior reduz a chance de uma forte queda em abril. Os traders vão se perguntar se o Emini encontrou suporte na mínima de dezembro de 2018. E ela é o fundo da lateralidade de 2 anos.

Uma sombra grande reduziria a chance de vermos a barra de abril ir abaixo da mínima de março. Além disso, aumentaria a chance dos preços apresentarem movimentos de laterais a ascendentes durante o próximo mês ou dois.

Os traders viram a linha de tendência de alta de 11 anos e a mínima de dezembro de 2018 como um nível de suporte majoritário. Além disso, o mercado de ações geralmente faz um repique quando cai 10%, 20%, 30% ou 50%. Esses patamares percentuais são, portanto, suportes adicionais. Uma queda de 30% é particularmente importante porque esse é o percentual médio de queda quando o Emini entra em um mercado de baixa.

Emini testando um suporte majoritário

O fechamento mais baixo nesta última semana, do índice S&P500, ocorreu na sexta-feira. Ele ficou 32% abaixo do maior fechamento histórico do índice, e que ocorreu em 19 de fevereiro. Isso é uma correção de cerca de 30%. Consequentemente, essa semana que passou testou todos os três níveis de suporte (o fundo da lateralidade de 2 anos, a linha de tendência de alta de 11 anos e o nível de correção de 30%).

Os traders estão decidindo se os vendedores começarão a cobrir as suas posições em torno do suporte atual e se os compradores fortes começarão a entrar, esperando um breve rali provocado pela zeragem das posições vendidas. Se houver uma forte zeragem de posições vendidas, este mês poderá fechar acima da linha de tendência de alta, que está aproximadamente no nível de 2600.

Se o mês fechar em baixa, também fechará abaixo da mínima de dezembro de 2018. Os traders enxergariam essa mínima como um ponto de rompimento. Como a lateralidade de 2 anos possui uma amplitude de cerca de 1000 pontos, eles querem saber se haverá um movimento projetado para baixo até os 1300.

Esse movimento projetado representaria uma correção total de 62%. No momento, há apenas 20% de probabilidade de que isso ocorra. O melhor que os vendedores podem conseguir, antes que um pequeno rali motivado pela cobertura de posições vendidas aconteça, é provavelmente um teste do fundo da lateralidade formada em 2014-2015, por volta de 1800. Isso representaria uma correção de quase 50%. Há uma probabilidade de 30% de que o Emini atinja esse nível, antes de haver um rali provocado pela zeragem das posições vendidas.

Gráfico semanal do Emini (S&P500):

Testando o preço do início do mandato do presidente Trump

Legendas:

Forte rompimento de baixa até uma nova mínima dos últimos 2 anos

Clímax de venda, mas não há sinal de fundo

Compradores querem uma reversão de alta a partir do triângulo expandido, mas precisarão de pelo menos um micro fundo duplo

O gráfico semanal do Emini formou sua quinta grande barra de baixa consecutiva nesta última semana. Além disso, fechou abaixo da mínima de dezembro de 2018, que era o fundo de uma lateralidade de 2 anos.

Se os compradores conseguirem uma reversão de alta nas próximas semanas, essa mínima seria a terceira perna em um triângulo expandido. As duas primeiras pernas foram as mínimas de fevereiro e dezembro de 2018. Os traders, então, esperariam por um rali que levaria o preço de volta ao ponto médio do triângulo que já dura 2 anos. Isso representaria uma retração de cerca de metade da tendência de baixa que está em vigor.Gráfico diário do Emini (S&P500):

Tendência de Baixa com Correções Rasas

Legendas:

Fundo em forma de cunha parabólica formado ao longo de 5 dias está falhando

Tendência de Baixa com Correções Rasas é um clímax de venda, mas é provável que tenhamos preços mais baixos

Não há fundo ainda, mas é provável que haja em breve um forte rali motivado pelos vendedores

 O gráfico diário do Emini está em um clímax de venda. Movimentos climáticos de venda podem ir muito além do que parece razoável. Ainda não há reversão de alta à vista. Às vezes, os operadores em Wall Street dizem algo como “Preço barato é um mal indicador para saber a hora de comprar”. Quando o mercado parece estar barato, ele pode simplesmente ficar muito mais barato e não é necessariamente um bom momento para comprar. Na verdade, quando o mercado entra em colapso, ainda assim ele pode estar caro com base nas novas condições econômicas. Você só saberá em retrospectiva se ele caiu mais do que devia.

A primeira perna de baixa fez um forte rompimento abaixo da linha de tendência de alta de 4 meses no gráfico diário. Foi um impulso de baixa até a mínima de 28 de fevereiro. Houve então uma correção de 3 dias até a máxima de 3 de março e, em seguida, uma retomada da tendência de baixa.

A máxima de 3 de março foi o início de um canal de baixa em forma de cunha parabólica. É um canal estreito de baixa com pelo menos 3 puxadas para baixo (3 movimentos climáticos de venda). Essa queda teve 5 breves pernas de baixa. As últimas 3 aconteceram ao longo de 5 dias e formaram um fundo em forma de micro cunha. Essa micro cunha ficou aninhada (está contida) em um clímax de venda em forma de cunha parabólica que já dura 2 semanas. Uma queda em forma de cunha aninhada (uma cunha menor dentro de uma cunha maior) possui uma probabilidade maior de levar a uma reversão de alta.

Devolvendo todos os ganhos da era Trump

Na última quarta-feira, o Emini foi abaixo da abertura de 20 de janeiro de 2017, e reverteu para cima. Na sexta-feira, foi abaixo novamente, mas fechou um pouco acima. Esse é o nível de preço do início da presidência de Trump. Portanto, o mercado de ações quase apagou todos os seus ganhos desde que o presidente Trump tomou posse. O índice S&P500 ainda não havia atingido esse patamar novamente desde então. Os traders podem ler essa informação como quiserem, mas o mercado está claramente prestando atenção a esse nível do início do mandato do atual presidente.

Compradores querem sinais de pressão compradora

Enquanto esta última semana teve vários dias de alta, todos eles formaram barras com corpos pequenos. Além disso, não houve grandes barras de alta consecutivas fechando em suas máximas. Os traders querem ver isso acontecer, antes de concluir que um pequeno rali promovido pela zeragem de posições dos vendedores está em andamento. Os vendedores que ainda não compraram de volta as suas vendas irão zerá-la em pânico. Os compradores irão entrar também.

Tanto os compradores quanto os vendedores sabem que um curto rali de cobertura de posições, dentro de um clímax extremo de venda, normalmente tem pelo menos algumas pernas de laterais a ascendentes. Eles também esperam que esse rali dure cerca de 10 barras ou mais.

Como essa queda foi particularmente severa, o rali provocado pelos vendedores pode durar muito mais do que duas semanas. Um objetivo lógico seria em torno de 3000. Esse é um número redondo importante e ele foi por diversas vezes uma resistência em 2018 e 2019.

Pode haver um fundo em V, como em janeiro de 2019?

Não. Antes de tudo, apenas cerca de 20% dos movimentos climáticos de venda se transformam imediatamente em uma tendência de alta. Portanto, os fundos em V são raros, o que significa que qualquer fundo futuro provavelmente não será como o do ano passado.

Se o próximo rali não for a retomada da tendência de alta de 12 anos, o que acontecerá? Pode haver um rali por um mês ou dois que poderia ser o começo confiável de uma reversão em forma de fundo em V. No entanto, há uma chance de 80% de que o rali seja minoritário. Uma reversão minoritária é aquela que não leva a uma tendência oposta.

É uma perna de alta dentro de uma lateralidade ou uma bandeira de urso. Em ambos os casos, os traders devem esperar um teste do fundo do atual clímax de venda. Quando ocorre um teste desse fundo do clímax de venda, normalmente se forma um rali a partir do fundo duplo. Nessa situação, há 40% de probabilidade de se iniciar a tendência de alta.

Movimentos climáticos extremos de compra levam a lateralidades extremas

Essa queda que já dura 1 mês é extremamente forte. É semelhante à 1ª perna de baixa do Crash de 1929. Houve, naquele Crash, uma segunda perna para baixo. E então uma terceira, e muito mais pernas para baixo. A tendência de baixa não terminou até que o mercado de ações houvesse perdido quase 90% de seu valor. Embora possa haver uma queda em forma de cunha (três pernas para baixo) ao longo do próximo ano e o mercado provavelmente perca pelo menos 40% de seu valor, ele não perderá 90%.

A partir do final de 2017, eu disse repetidamente que o rali do final daquele ano era o mais extremo ocorrido nos últimos 100 anos do mercado de ações. Eu disse que isso levaria a uma correção por muitos meses. Mas eu também disse que cada correção era apenas uma pausa em uma tendência de alta. Os traders deveriam esperar por preços mais altos após cada correção. Além disso, eu disse muitas vezes que o clímax de compra estava acontecendo tarde em uma tendência de alta e que provavelmente seria formado um topo majoritário dentro de alguns anos.

Finalmente, eu comparei aquele clímax de compra aos ralis ocorridos nas décadas de 60 e de 90. Ambos levaram a lateralidades que duraram cerca de 10 anos. Cada uma também teve pelo menos algumas correções de 40% ou mais. Portanto, eu disse que nos anos que se seguirão a 2020 provavelmente estaríamos em uma lateralidade que duraria uma década, e que haveria pelo menos algumas correções de 40% a 50%.

Provável lateralidade com duração de 1 década

Essa queda é um provável início de uma lateralidade que deve durar 1 década. Os compradores normalmente conseguem uma nova alta cerca de 2 anos após o término de uma tendência de baixa. Em média, uma tendência de baixa dura cerca de um ano. Consequentemente, pode haver uma nova alta histórica em cerca de 3 anos. No entanto, provavelmente não ficará muito acima da alta deste mês de fevereiro. Seria apenas uma perna de alta dentro de uma lateralidade em formação e com provável duração de uma década. Os traders devem esperar uma outra queda de mais de 40% a partir dessa nova máxima histórica.

O que esperar para a próxima semana

O gráfico diário está em um clímax de venda em forma de cunha parabólica. É também uma Tendência de Baixa com Correções Rasas (Small Pullback Bear Trend). Não há sinal de fundo. Os traders continuam esperando preços mais baixos.

O próximo alvo é o número redondo importante de 2000. Mas um forte rali motivado pela cobertura de posições vendidas pode começar a qualquer momento. Você saberá quando ele se iniciar, porque as compras serão óbvias e implacáveis. Até lá, a tendência de baixa continuará levando os preços para baixo.

1 Nota de tradução: a palavra “rali” aqui é usada com o mesmo sentido da palavra inglesa rally, que denota um movimento de alta.

2 Nota de tradução: Al Brooks cunhou a expressão “Big Up, Big Down, Big Confusion” (Grande Alta, Grande Baixa, Grande Confusão) em seus textos, e a utiliza bastante quando quer mostrar que grandes pernas de alta/baixa seguidas de grandes pernas de baixa/alta tornam o movimento pouco conclusivo e, por isso, normalmente são uma marca de uma lateralidade.

3 Nota de tradução: O “teste” de um suporte, de uma resistência ou de qualquer nível de preço é considerado bem sucedido quando o mercado atinge aquele nível de preço e reverte, seguindo na direção contrária àquela que vinha fazendo. Por exemplo, se ocorreu um teste bem sucedido de um suporte, isso significa que o mercado vinha em uma perna de baixa e, ao atingir aquele suporte, reverteu para cima.

4 Nota de tradução: Essa expressão (“the straw that broke the camel´s back”) descreve a ação aparentemente menor ou rotineira que causa uma reação grande e repentina, de maneira imprevisível, devido ao efeito cumulativo de pequenas ações.

5 Nota de tradução: A tradução para o português do último relatório semanal do Brooks em 2019 pode ser vista em https://www.priceaction.com.br/al-brooks-responde/relatorio-semanal-al-brooks-29-12-2019/.

* Esta tradução livre para o português tem fins exclusivamente didáticos, foi autorizada por Al Brooks e não pode ser reproduzida ou utilizada de nenhuma forma sem autorização expressa do autor ou editor, exceto para uso em citações breves e desde que com a devida citação da fonte em sua reprodução. O texto original em inglês pode ser encontrado no seguinte link do website do autor: https://www.brookstradingcourse.com/market-analysis/emini-coronavirus-crash-should-bounce-soon/.

Tradução: Filipe Mano (Aluno do Treinamento ao vivo)

Copyright © 2020 de Al Brooks Todos os direitos reservados. Este artigo ou qualquer parte dele, assim como qualquer mídia relacionada, não pode ser reproduzido ou utilizado de nenhuma forma sem autorização expressa, do autor ou editor, exceto para uso em citações breves, com a devida citação da fonte. O uso não autorizado configura crime. 

3 Responses

  1. GeorgeMota
    |

    Top demais. Obrigado.

  2. HunterGold88
    |

    Fantástico!
    Al sempre nos surpreendendo com suas analises.
    Parabéns Filipe Mano pela tradução.

    • Filipe Mano
      |

      O Brooks está particularmente inspirado nessa crise, HunterGold88. Se tiver alguma dúvida ou crítica em relação às traduções, fique à vontade. Abs

Deixe uma resposta