Básico de Candles (Barras) na Metodologia Al Brooks

Introdução

Por que estudar o básico de barras?

Porque saber ler a oferta e a demanda durante a formação de todos os candles do gráfico é fundamental nessa metodologia, e isso servirá de base para tudo o que virá depois, todas as mais de 90 horas de aulas em vídeo ou as quase 2 mil páginas escritas em livros.

Não à toa, o primeiro livro lançado pelo Al tem a frase “Análise Barra a Barra” em seu título, pois o trader de fato analisa todos os dias cada nova barra que fecha, durante todo o pregão.

Traders de Price Action reconhecem imediatamente se compradores e vendedores estão em equilíbrio ou se um dos dois lados está mais forte. Se as forças estiverem equilibradas, os preços tendem a se movimentar horizontalmente, mas se um dos lados estiver mais forte, os preços costumam se deslocar mais verticalmente.

Conforme o tempo vai passando, essas barras vão se agrupando e dando forma ao que chamamos de contexto, e é a partir dele que conseguimos entender se o mercado está em tendência ou em lateralidade, e conseguimos ainda avaliar sua força e amplitude. Através dessas observações, enxergamos os ciclos do mercado, e uma vez situados nesses ciclos conseguimos estruturar e gerenciar operações que sejam apropriadas e façam sentido para aquela determinada situação. Saber o básico sobre barras é, portanto, o primeiro passo para que você possa fazer essas análises.

Os que já foram iniciados na metodologia já devem saber, mas para dar um exemplo aos iniciantes, estruturar e gerenciar operações significa imediatamente tomar decisões, como por exemplo se iremos montar um trade onde devemos deixar os ganhos correrem ou sair com um scalp, decidir o tamanho da posição, ou mesmo avaliar se as nossas chances de obter um ganho são boas.

Provavelmente a maioria das pessoas que está lendo este artigo já estudou candles de uma maneira ou de outra, e neste caso você pode passar ao item 2 deste artigo. Porém, mesmo que você já tenha estudado candles, peço que mantenha a cabeça aberta e tenha a paciência de rever seus conceitos, pois a metodologia Al Brooks faz uma abordagem um pouco diferente de leitura, buscando ler a oferta e a demanda em cada um deles, através da movimentação dos preços.

Os chamados padrões de candle são utilizados apenas secundariamente, e na maioria das vezes existe uma nomenclatura própria ou uma revisão mais genérica dos termos. Por exemplo, “Doji” passa a ser um termo genérico, que representa qualquer barra que tiver uma movimentação lateral de preços durante a sua formação. Por outro lado, termos como “engulfing”, estrela cadente ou “dark cloud cover” não são utilizados e foram substituídos por uma nomenclatura mais útil e mais genérica.

Sem mais delongas, vamos aos conceitos básicos de barras que serão utilizados nessa metodologia:

1- Básico de Candles – Corpos vs Sombras

Price Action é qualquer movimento de preços que ocorra em um gráfico. Os preços representam que um determinado comprador e um determinado vendedor entenderam que aquele determinado preço era justo naquele exato instante, fecharam um negócio e o registraram no mercado.

Enxergamos essa movimentação de preços através de candles (o Al Brooks também se refere a candles com o nome de “barras”).

Um candle mostra de maneira visual e instantânea os preços de  abertura, máxima, mínima e fechamento de um ativo durante um determinado intervalo. Existem diferentes maneiras de se determinar esse intervalo, como por exemplo número de ações e números de ticks, mas neste artigo vamos utilizar a mais comum: TEMPO. Assim, utilizaremos gráficos de preço x tempo, mas o funcionamento é o mesmo para outros tipos de gráfico.

Candles são formados por “corpo” e “sombra(s)”.

 

O corpo é a área entre a abertura e o fechamento da barra, e se parece com um retângulo “em pé”. Ele indica na hora se o fechamento foi acima, abaixo ou igual ao preço de abertura do candle.

Utilizamos cores nos corpos dos candles para termos informação imediata se o preço subiu ou caiu durante aquele determinado intervalo de tempo (barra).

Existem diversos pares de cores comuns, e fique à vontade para utilizar qualquer um que você queira, mas neste artigo utilizaremos as cores que eu e o Al preferimos: corpos brancos representam alta e corpos pretos representam baixa.

As sombras são as áreas entre a mínima e o corpo, e/ou entre a máxima e o corpo, e se parecem com risquinhos verticais ou pequenos pavios.

Elas mostram se, durante aquele intervalo, foram negociados preços maiores ou menores do que os preços de abertura e fechamento.

 

2- Barras de Tendência vs Barras de Lateralidade

Barras de Tendência são barras com CORPOS EXPRESSIVOS, relativamente grandes em relação ao tamanho total da barra. Como orientação visual, barras de tendência são aquelas que tem corpos maiores do que 50% do tamanho total da barra (não se martirize medindo, apenas bata o olho e avalie).

Barras de Lateralidade são aquelas com SOMBRAS EXPRESSIVAS, relativamente grandes em relação ao tamanho total da barra. Como orientação, se a soma dos tamanhos das sombras daquela barra for maior do que 50%, então ela será uma barra de lateralidade, mesmo que só tenha sombra em um dos lados.

Toda barra (candle) se encaixa em um desses dois grupos acima.

Barras de tendência têm esse nome porque, durante aquele determinado intervalo de tempo, houve uma tendência de alta ou de baixa nas cotações. Um dos lados se mostrou mais forte, a ponto de conseguir subir ou baixar os preços em relação ao primeiro negócio daquele intervalo, fazendo com que a movimentação de preços tivesse uma aparência mais vertical.

Por exemplo, durante a formação de um candle de alta, os compradores se mostraram mais fortes do que os vendedores e a demanda superou a oferta, fazendo com que o preço terminasse aquele intervalo de tempo sendo negociado acima do preço em que se iniciou.

Além disso, se você observar esse horário em um tempo gráfico menor, verá que se tratou de uma tendência mais clara, provavelmente com topos e fundos ascendentes.

acima, alguns exemplos de barras de tendência, mas existem várias outras formas possíveis. O ponto-chave é visualmente reconhecer de imediato se o corpo é muito mais expressivo do que a sombra.

 

Todas as Barras de Lateralidade nessa metodologia são também chamadas genericamente de “Doji”, e esse é mais um exemplo de diferença de nomenclatura, portanto fique atento para não se confundir. Ignore os padrões e nomenclaturas de dojis que você conhecia até então.

Essas barras são laterais porque não houve uma superioridade tão clara de altistas nem baixistas. Um dos lados tentou criar uma tendência, mas o outro lado reagiu e mostrou força o suficiente para equilibrar os preços e desfazer o esforço adversário, formando sombras. Com isso, a oferta e demanda estiveram mais ou menos equilibradas e a movimentação de preços teve uma aparência mais lateral durante a formação daquela barra, e a negociação ao final do candle ocorreu a um preço relativamente próximo ao preço em que se iniciou.

acima, vários exemplos de barras laterais (ou dojis), com exceção da penúltima barra à esquerda. Há uma infinidade de formatos possíveis, mas esses exemplos conseguem demonstrar um ponto: barras com sombras grandes são barras laterais, mesmo que muitas delas também sejam "barras de reversão", conforme será tratado em um artigo mais adiante.
Resumindo: Barras de Tendência têm CORPOS GRANDES em relação ao tamanho da barra, enquanto que Barras de Lateralidade têm SOMBRAS GRANDES e são chamadas de dojis. Como orientação, utilize corpos maiores do que 50% do tamanho total do candle para se situar, mas não se preocupe em conseguir exatidão, apenas tenha bom senso.

3 – Força das Barras de Tendência

Existem vários outros fatores para se determinar a força da oferta e da demanda através de observações de detalhes em barras de tendência, mas abaixo segue o básico do básico:

Tamanho do corpo: quanto maior o corpo, mais forte uma Barra de Tendência, pois mostra que um dos lados conseguiu deslocar uma distância grande de preços.

Fechamento próximo a um dos extremos: quanto mais próximo da máxima fechar uma Barra de Tendência de Alta, mais forte estão os compradores (demanda), e quanto mais próximo da mínima fechar uma barra de tendência de baixa, mais forte estarão os vendedores (oferta).

Colocando essas duas observações acima juntas, temos:

  • Barra de Tendência de Alta: quanto MAIOR O CORPO e MAIS PERTO DA MÁXIMA FOR O FECHAMENTO, mais forte será essa barra
  • Barra de Tendência de Baixa: quanto MAIOR O CORPO e MAIS PERTO DA MÍNIMA FOR O FECHAMENTO, mais forte será essa barra

Tamanho da Sombras: quanto menor a(as) sombra(s), mais forte uma Barra de Tendência, pois mostra que o lado perdedor teve menos força para reagir, e a barra abriu próxima a um extremo fechou próxima ao outro.

 

nas figuras acima e abaixo vemos algumas barras fortes durante um rompimento de baixa e durante um rompimento de alta. Repare como as barras mais fortes são grandes, abrem em um extremo, fecham em outro. Algumas também são seguidas de continuidade, ou ao menos de ausência de barra com corpo contrário.

Portanto, BARRAS GRANDES, COM CORPOS GRANDES, QUE COMEÇAM EM UM EXTREMO E TERMINAM NO OUTRO, SÃO AS MAIS FORTES.

4- Significância das Barras de Lateralidade (Dojis)

Quanto maior a(s) sombra(s) de um Doji, mais lateral terá sido a movimentação de preços naquele intervalo. Isso porque um dos lados tentou puxar para um extremo e o outro reagiu, mostrando equilíbrio entre as forças de oferta e demanda.

Se as sombras são relativamente grandes, então o corpo é pequeno, e daí temos mais uma ideia que você deve ter o tempo todo em mente:

 

Assim, BARRAS COM SOMBRAS GRANDES e CORPOS PEQUENOS REPRESENTAM MERCADOS LATERAIS E MUITO EQUILIBRADOS.

 

Conclusão

Um trader de Price Action deve observar o tempo todo se as forças de compra e venda estão ou não em equilíbrio, e a base de toda essa observação é o próprio preço, representado através de barras (ou candles). Barras de Tendência mostram força e deslocamento a favor de um dos lados, enquanto que Barras de Lateralidade mostram equilíbrio e movimentação horizontal. Saber reconhecer imediatamente essas informações através de Corpos e Sombras é um conhecimento básico para todos os traders.

 

Material recomendado:

  • Capítulo 1 do Manual de Price Action
  • Curso principal do Al Brooks (somente em inglês): Vídeos 01, 02A, 02B, 02C, 02D, 08A, 08B, 08C e 08D (veja a lista completa de vídeos do curso principal clicando aqui)
  • Curso Melhores Trades do Al Brooks: vídeos 6 a 25 (veja a lista completa de vídeos do curso Melhores Trades do Al Brooks clicando aqui)

 

*Agradeço ao Teo Marcus pelas imagens.

Quem quiser se voluntariar para me ajudar a ilustrar esse artigo com imagens que sejam úteis aos demais traders, por favor mande um email para contato@priceaction.com.br.

Obrigado,

Felippe Aranha

O próximo artigo será sobre “Pernas” (você pode adiantar seus estudos assistindo ao vídeo “Aprenda a diferenciar pernas de alta, em tendências e lateralidades”, clicando aqui

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21 Responses

  1. Luiz Augusto
    |

    Excelente, Felippe! Vamos começar a movimentar esse site! E parabéns pela parceria com o SST…

    • Felippe Aranha
      |

      Obrigado Luiz, já corrigi o erro q vc apontou.
      Abs!!

  2. juniorxd
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    Maravilhoso, Aranha muito, mas muito obrigado por esse trabalho e ao Brooks por ceder esse maravilhoso conteúdo.
    Essa visão de doji é muito legal.

    • Felippe Aranha
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      Obrigado a todos pelos elogios, isso nos motiva bastante!

  3. darloncarlot
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    Otimo trabalho!

  4. Adrianobrasil
    |

    Iniciando as aulas gratuitas para ter a base do restante do curso. Vamos que vamos.

  5. Marcos_A_Camargo
    |

    Parabéns pelo trabalho, muito objetivo e pratico.

  6. SamWiseCoin
    |

    Muito Bom !

  7. lazaro
    |

    Parabéns pelo trabalho, muito bom.

  8. erasmoneves
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    EXCELENTE. EXPLICAÇÃO FELIPPE ARANHA.

  9. caioamcosta
    |

    Caro Felippe,
    No conceito Brooks, quando identificamos uma lateralidade vale também a idéia de que barras de sinais dentro da lateralidade possuem menor significado, menor representatividade? (exemplo um barra de tendência, segundo os conceitos acima, dentro de uma lateralidade pode ser também classificada como “doji” por não ter passado dos limites da consolidação (lateralidade)?

    • Felippe Aranha
      |

      Olá Caio,

      Sim, você está correto, em geral damos menos importâncias à barras individuais dentro de lateralidades. Porém, boas barras de sinal nos topos ou fundos de lateralidades, especialmente se forem segundas entradas, passam a ter relevância.

  10. mcpbv
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    excelente texto. muito obrigado por tudo

  11. akamp1993
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    Valeu Téo, vc é oq stt representa em pessoa.

  12. carllos
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    A cada conhecimento adquirido, mais confiante na metodologia. Excelente texto, Aranha. Ótima pergunta, caioamcosta!

  13. R.neri
    |

    Renam/Felippe

    Excelente explicação. Parabéns.
    o link sugerido aqui ” O próximo artigo será sobre “Pernas” (você pode adiantar seus estudos assistindo ao vídeo “Aprenda a diferenciar pernas de alta, em tendências e lateralidades”, clicando aqui” nesta pagina não está funcionando !

    • Felippe Aranha
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      Já está de volta ao ar, Rogério, obrigado por avisar. Por causa da pirataria, tivemos de tirar do Youtube e colocar em um Host Privado.

  14. Bombeiro
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    muito bom, aprendendo muito por aqui.

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